De Lana Del Rey a Olivia Rodrigo: as grandes vozes do pop que marcaram o Lollapalooza Brasil

Ao longo de suas edições no Brasil, o Lollapalooza consolidou uma relação cada vez mais forte com o pop. Entre refrões que marcaram gerações, apresentações de grande intensidade e artistas que encontraram no festival uma oportunidade de alcançar novos públicos, o gênero passou a ocupar um lugar de destaque em alguns dos momentos mais memoráveis de sua história.

De nomes que já arrastavam multidões ao redor do mundo a artistas que viviam uma fase decisiva de expansão internacional, os palcos do festival receberam cantoras que representam diferentes vertentes e transformações da música pop. Inicialmente marcado por uma curadoria mais concentrada no indie e no rock alternativo, o Lollapalooza Brasil acompanhou a crescente presença do pop entre o público e ampliou seu espaço na programação, tornando-se também uma vitrine para algumas de suas principais estrelas. Para celebrar os 15 anos do festival no país, reunimos uma seleção de cantoras que se destacaram ao longo dessa trajetória.

Ellie Goulding

Ellie Goulding chegou ao Lollapalooza Brasil em um dos períodos de maior projeção comercial de sua carreira, impulsionada por uma sequência de sucessos que consolidaram sua presença nas paradas internacionais. O repertório favorecia a cantora, que encontrou no festival a oportunidade de reunir alguns de seus maiores sucessos diante de um público familiarizado com sua fase mais popular. Foi um show representativo de uma época em que o pop eletrônico dominava boa parte das rádios e das pistas, com Ellie entre os nomes que ajudaram a definir essa sonoridade.

Lana Del Rey

Em 2018, Lana Del Rey levou ao Lollapalooza Brasil o repertório de uma carreira que já havia estabelecido uma identidade singular no pop alternativo. Dois anos depois, a cantora deveria retornar ao país com a turnê de Norman Fucking Rockwell!, álbum que recebeu ampla aclamação crítica e concorreu ao Grammy de Álbum do Ano, mas a pandemia impediu a realização daquela edição do festival. O disco aprofundava características que acompanham sua obra desde o início, a criação de um álbum entre a nostalgia e o interesse pelas contradições da cultura norte-americana. Ao longo dos anos, Lana deixou de ser apenas uma figura associada a uma estética particular para se tornar uma referência incontornável na maneira como o pop alternativo passou a abordar suas próprias influências.

Halsey

A vinda de Halsey no Lollapalooza Brasil também remete a uma fase específica de sua trajetória, anterior às experimentações mais contundentes que passaram a marcar seus trabalhos recentes. Naquele período, a cantora consolidava sua identidade entre o pop e o alternativo, com faixas que equilibravam apelo comercial e uma abordagem mais confessional. Desde então, sua relação com o palco se transformou, incorporando arranjos mais agressivos, distorções e interpretações que se afastam da estrutura tradicional do pop.

Miley Cyrus

Poucas artistas do pop contemporâneo passaram por tantas reformulações públicas quanto Miley Cyrus. No Lollapalooza Brasil de 2022, a cantora apresentou uma fase marcada por Plastic Hearts, álbum que aproximou sua música do rock e deu maior evidência à potência de sua voz. A escolha fazia sentido também pelo contexto: durante a pandemia, sua interpretação de “Heart of Glass”, clássico do Blondie, ganhou grande repercussão e reforçou o interesse do público por essa faceta de sua carreira. Em vez de se limitar aos sucessos que marcaram seus primeiros anos, Miley levou ao festival um repertório que evidenciava a amplitude de suas referências e uma relação cada vez mais segura com o rock e permitiu ampliar as fronteiras de uma carreira inicialmente associada ao pop adolescente.

SZA

A performance da SZA marcou a chegada de uma artista cuja influência já ultrapassava há tempos os limites do R&B. Embora o gênero permaneça central em sua música, a combinação entre melodias acessíveis, produção inventiva e letras sobre desejo, insegurança e relações afetivas também a aproximou de uma audiência ampla no pop. No festival, essa dimensão apareceu tanto na força do repertório quanto na construção visual do espetáculo, que ampliava o universo das canções sem deixar em segundo plano a vulnerabilidade que sustenta sua escrita.

Billie Eilish

A estreia de Billie Eilish no Brasil, como atração do Lollapalooza de 2023, foi um dos momentos mais aguardados daquela edição. Até então, o público brasileiro acompanhava a cantora à distância, por meio de seus álbuns, videoclipes e registros de apresentações internacionais. Em Interlagos, a resposta dos fãs evidenciou a dimensão que essa relação havia alcançado, com um repertório reconhecido coletivamente e uma intensidade que marcou o show entre as apresentações mais lembradas do festival. A ocasião também ganhou peso por representar, até então, a única oportunidade de ver a norte-americana ao vivo no país, tornando o encontro especialmente significativo para quem acompanhava sua carreira desde os primeiros lançamentos.

St. Vincent

A apresentação da cantora no Lollapalooza Brasil na sua segunda vinda de 2019 destacou uma artista cuja relação com o pop passa justamente pela desconstrução de suas convenções. Com um repertório sólido e uma abordagem instrumental que mistura rock, eletrônica e experimentação, a cantora demonstrou como a música pop pode absorver elementos menos convencionais sem abrir mão de impacto.

Kali Uchis

A apresentação se destacou pela presença de uma artista latina em um dos principais festivais do país. No palco, os bailarinos e as coreografias tiveram papel central na construção do espetáculo, acompanhando uma produção visual que dialogava diretamente com a identidade da cantora, transformando o show em uma experiência que combinava sensualidade, precisão visual e diversidade cultural.

Olivia Rodrigo

A apresentação de Olivia Rodrigo no Lollapalooza Brasil aconteceu em um momento de consolidação de sua carreira, depois que SOUR e GUTS estabeleceram seu nome entre os principais representantes do pop contemporâneo. Ao recuperar elementos do pop-rock de outras décadas, a cantora encontrou uma linguagem própria para tratar de frustrações, inseguranças e conflitos afetivos, sem abrir mão da energia das guitarras ou da força dos refrões. No palco, essa combinação aproximou a dimensão confessional das composições da escala de um grande festival. O show confirmou a capacidade da “gen-z” de transformar experiências pessoais em canções que encontram identificação para além de sua geração.

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