Lollapalooza Brasil 2027: diretor explica como o line-up foi escolhido

Foto: divulgação

O que faz um artista sair das letras pequenas de um cartaz e voltar anos depois como uma das atrações de destaque? Para Marcelo Beraldo, diretor do Lollapalooza Brasil, essa é uma das histórias que explicam como funciona a curadoria do festival, que completará 15 anos no país em 2027. Em entrevista ao Glow Pop, ele contou como a equipe do evento montou o line-up da próxima edição. Confira a conversa logo abaixo!

Glow Pop Brasil: O Lollapalooza Brasil chega aos 15 anos com um line-up que mistura nomes gigantes, artistas em ascensão e várias atrações que fazem sua estreia no país. Qual foi o principal conceito por trás da construção dessa edição?

Marcelo Beraldo: Partimos de uma pergunta: o que o Lolla precisa ser aos 15 anos? A resposta foi uma palavra, conectado — com o que está acontecendo na música agora, com o que veio antes e com um público que mudou muito desde 2012. Por isso não montamos apenas uma lista de nomes grandes; montamos um festival, em que cada dia tem um arco, para se ouvir música de qualidade do meio-dia a meia-noite.

Glow Pop Brasil: Alguns dos artistas anunciados, como The Killers, Fontaines D.C. Charli xcx, The Neighbourhood, Raye, Sombr e Lola Young, estavam entre os nomes mais pedidos pelo público nas redes do festival. Até que ponto os pedidos dos fãs influenciam a curadoria do Lolla.

Marcelo Beraldo: Influenciam a direção, não a decisão em si. A gente lê tudo, todas as pesquisas, todos os comentários, mas o pedido não se realiza necessriamente no ano em que se pede; se realiza no ano em que dá. Killers, Charli, Fontaines e Lola são exatamente isso: pedidos não tão recentes que finalmente alinharam com o nosso calendário.

Glow Pop Brasil: O festival sempre teve como uma de suas características apresentar artistas que ainda estão construindo suas trajetórias para o público brasileiro. Como vocês identificam esses nomes antes de eles se tornarem grandes atrações internacionais.

Marcelo Beraldo: Metade escuta, metade dado. Olho números — curva de crescimento, ouvintes em São Paulo, histórico de shows no Brasil —, mas número não escolhe, só diz onde olhar. O resto é ir a show pequeno, prestar atenção em tudo que está acontecendo, em todas as dicas que recebo, ler a caixa de submissões dos agentes e artistas até o fim e ter histórico: o Mochakk tocou aqui em 2023 com o nome em letra pequena e volta com destaque.

Glow Pop Brasil: Esta edição também chama atenção pela quantidade de estreias no Brasil. Existe algum artista de 2027 que vocês acreditam que o público vai descobrir no Lolla e que pode se tornar um dos grandes nomes das próximas edições.

Marcelo Beraldo: Geese: daqui a alguns anos a gente vai lembrar que eles tocaram em Interlagos. Adéla, que chega para a estreia já com um fandom de headliner. E, do lado brasileiro, Rakta e Catiça — nomes que o algoritmo ainda não levou para todo mundo.

Glow Pop Brasil: A música brasileira ocupa um espaço bastante diverso nesta edição, passando por nomes como Nação Zumbi, Criolo, Amaro Freitas, Rodrigo Amarante, Grag Queen, Mochakk e artistas de diferentes regiões e cenas. Qual foi a importância de ampliar esse recorte brasileiro justamente na edição de 15 anos.

Marcelo Beraldo: É a parte do line-up em que a gente tem mais liberdade: artista nacional no Lolla não é escalado para vender ingresso, e isso permite arriscar. Nos 15 anos, quis que o cartaz mostrasse o país inteiro em movimento — Nação Zumbi, que tocou no primeiro Interlagos, ao lado de bandas da Paraíba que estreiam, como Seu Pereira e Coletivo 401; Criolo com Amaro Freitas; Rodrigo Amarante, Grag Queen, Deafkids. É também para isso que um festival existe.

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