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Nesta quinta-feira (9), foi confirmado oficialmente que o cantor Labrinth não estará presente na trilha sonora da última temporada de Euphoria, que começará a ser disponibilizada no streaming pela HBO Max neste domingo (12). Para assumir essa nova fase, a produção contará exclusivamente com Hans Zimmer, marcando uma mudança significativa na identidade sonora da série.
A notícia, embora impactante, não chega exatamente como uma surpresa. Menos de um mês atrás, Labrinth havia feito uma publicação incisiva criticando a indústria, deixando transparecer um certo esgotamento com o ambiente ao redor do projeto. A saída do artista nesse momento apenas formaliza um sentimento que já pairava nos bastidores.
Desde o início, ele foi um dos principais pilares estéticos responsáveis por elevar Euphoria ao patamar cultural que ocupa hoje. Embora muito se discuta sobre a fotografia neon, a maquiagem e a direção visual, a estética da série nunca se construiu pelo que se vê, mas também, e principalmente, pelo que se ouve.
Já na primeira temporada da produção televisiva, seu trabalho se destacou ao capturar uma atmosfera ao mesmo tempo semimágica e perturbadora, utilizando sintetizadores analógicos, vocais etéreos e uma ambiência quase alucinógena. A trilha sonora funcionava como uma extensão emocional da narrativa, traduzindo em som tudo aquilo que a imagem buscava provocar.
Tal impacto foi tão profundo que se tornou inseparável do arco de Rue, personagem interpretada por Zendaya. Faixas como “Forever”, “Formula” e “When I R.I.P.” ajudaram a consolidar a assinatura sonora da série, enquanto “All for Us” permanece como um de seus momentos mais emblemáticos, número teatral e hipnótico que encerrou a primeira temporada e rendeu a Labrinth um Primetime Emmy Award em 2020.
Durante a pandemia, “Still Don’t Know My Name” ganhou ainda mais projeção ao viralizar em trends de maquiagem inspiradas em Euphoria, demonstrando como a trilha extrapolou a tela e passou a ocupar um espaço relevante no imaginário pop.
Já na segunda temporada, a parceria entre Labrinth e Zendaya em “I’m Tired” trouxe uma abordagem mais gospel e espiritualizada, refletindo com precisão o estado emocional da protagonista em um dos momentos mais intensos da narrativa. Mesmo com mudanças visuais e um salto estético evidente entre as temporadas, o trabalho do músico permaneceu como a espinha dorsal da obra.
A entrada definitiva de Hans Zimmer, por outro lado, coloca a série sob o comando de um dos nomes mais respeitados da composição para o audiovisual. Responsável por trilhas icônicas de filmes como Interestelar (2014), Duna (2021), O Rei Leão (1994) e Gladiador (2000), Zimmer tem plena capacidade de entregar grandiosidade e sofisticação. Ainda assim, Euphoria sempre foi, em grande parte, também a música de Labrinth, e sua ausência representa, inevitavelmente, uma perda significativa para o desfecho da série.
Enquanto isso, Labrinth segue ativo nos palcos. O artista se apresentará neste sábado (11) no Coachella, marcando seu retorno ao evento desde 2023, edição que contou com participações da própria Zendaya e Billie Eilish em um dos momentos mais comentados do festival. Vale lembrar que a terceira temporada de Euphoria vai somar oito episódios no total.
