Com “choke enough”, Oklou assina um dos espetáculos mais hipnóticos do C6 Fest

Foto: @___lkraw

Em meio a uma multidão a sua espera, Oklou encontrou na Tenda MetLife um abrigo perfeito para sua estreia no Brasil. A artista francesa desembarcou no C6 Fest impulsionada pelo excelente momento de choke enough, álbum que rapidamente se consolidou como um dos lançamentos mais comentados do ano entre fãs e críticos.

A introdução com “ict” trouxe Oklou sentada em um balanço enquanto construía uma atmosfera quase ritualística através de vocalizações etéreas. Empunhando uma flauta neon na transição para “thank you for recording”, a cantora era acompanhada por arranjos de piano que evocaavam paisagens bucólicas. Antes mesmo de mergulhar completamente no repertório, a artista fez questão de estreitar laços com o público com um pequeno caderno que reunia frases escritas em português, utilizadas para agradecer a recepção calorosa dos fãs brasileiros.

O palco funcionava como uma extensão natural da proposta musical da artista. Posicionada ao centro, Oklou dividia espaço com seus instrumentistas, dispostos frente a frente, enquanto projeções se espalhavam por grandes tecidos brancos suspensos ao redor da estrutura.

“Obvious”, um dos destaques de choke enough, reforçou aquilo que faz da francesa uma figura tão singular dentro da música contemporânea. Sua obra dialoga diretamente com a herança do hyperpop e o experimental, mas evita se limitar às convenções do gênero, apostando em elementos mais acústicos quando necessário. “Take Me By The Hand”, por sua vez, foi recebida por um coro intenso que parecia surpreender a própria cantora.

Durante boa parte do show, a sensação era de estar participando de uma espécie de rave instalada no coração do Parque Ibirapuera, o que pode transformar a Tenda MetLife em um organismo vivo que pulsava junto à música.

A dominação, no entanto, se deu por conta de “Harvest Sky”. Ao lado de Oklou, Casey MQ, colaborador da artista, assumiu funções instrumentais e vocais ao longo do espetáculo, ajudando a expandir ainda mais a riqueza sonora das canções. “Dance 2”, presente na edição deluxe de choke enough, mostrou uma faceta mais expansiva e dançante, enquanto o remix de “fall”, assinado por A.G. Cook, aproximou ainda mais a apresentação de suas influencias sonoras. Apesar dos inúmeros pedidos no encore por “viscus”, colaboração com FKA twigs, Oklou optou por encerrar a noite de forma mais íntima com “want to come back”, dedicando a performance aos fãs brasileiros e deixando uma promessa implícita no título da canção: o retorno será breve.

Acredito que a maior vitória da curadoria do C6 Fest se encontre na decisão de oferecer experiências que fogem da lógica da superestimulação dos grandes festivais. Em vez de transformar cada apresentação em uma disputa por atenção, o evento permitiu que os artistas fossem absorvidos em sua essência e talvez nenhum show tenha se beneficiado tanto dessa proposta quanto o da francesa, afinal, grande parte do espetáculo também se constrói a partir do público e da resposta que ele devolve ao artista.

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