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A cantora, compositora e multi-instrumentista francesa Laure Briard lançou Voyage Mental, seu novo e quinto álbum, com músicas que combina folk, pop psicodélico e chanson francesa para explorar a nostalgia, a busca por equilíbrio e a necessidade de se desconectar do ritmo acelerado da vida moderna.
O disco surge de um momento de introspecção pessoal e expressa o desejo de aventura e liberdade, transformando o cotidiano em momentos de reflexão. Entre as faixas, se destacam os singles “Rocking Chair” e “Le Train”, além de “Golden Sun”, feita em colaboração com o cantor e compositor americano F.J. McMahon, em que promove uma interação entre gerações e culturas separadas por décadas e continentes.
Laure, aliás, possui uma forte relação com o Brasil e sua música traz influências da bossa nova. Após a realização de uma turnê no país, a artista até colaborou com a banda Boogarins e lançou EPs em português. Para saber mais sobre o álbum Voyage Mental, a Glow Pop Brasil conversou com Laure Briard e o resultado da entrevista você confere a seguir!
Glow Pop BR entrevista Laure Briard
Glow Pop BR: O novo single “Rocking Chair” dialoga com um momento de melancolia e leveza. Como esse processo emocional influenciou a criação do álbum “Voyage Mental” como um todo?
Laure Briard: “Rocking Chair” fala bastante sobre introspecção. O fato de estar sozinha, de ter tempo para pensar nas coisas e acho que existe uma ligação com a minha situação naquela época, porque eu estava grávida de gêmeos, então foi uma espécie de experiência. Acho que fiz uma conexão entre esses dois eventos, porque não era fácil para mim andar ou sair para encontrar pessoas. Assim, eu ficava meio sozinha, mas me sentia bem. Mas sim, eu tive tempo para pensar sobre isso, então criei essa história de uma mulher que está sozinha e que atravessou montanhas e o deserto, e tem tempo para refletir sobre a vida, então é isso. Talvez neste álbum exista algo relacionado a esse tipo de introspecção. Sim, talvez mais do que nos outros, porque eu costumava falar sobre coisas que senti, mas desta vez, de uma maneira diferente.
Glow Pop BR: Se o seu single “Rocking Chair” fosse um filme, qual seria?
Laure Briard: Eu tenho muitos que vêm à mente, mas escolheria “Buffalo ‘66”, de Vincent Gallo. Penso nesse filme porque o personagem principal, interpretado por Vincent Gallo, é uma pessoa muito solitária e meio estranha. No filme, ele vive muito dentro da própria cabeça, imagina muitas coisas que vão acontecer, faz projeções e fica preso a coisas do passado. Não é uma ligação direta, mas existe algo ali. Não é óbvio, mas há alguma conexão.
Glow Pop BR: Você tem uma forte relação com o Brasil, por exemplo, a colaboração com a banda Boogarins. Como foi para você essa conexão e de que maneira isso influenciou sua música?
Laure Briard: Nós nos conhecemos em 2017, quando estávamos tocando no México e no Texas, no South by Southwest. Foi lá que nos encontramos lá e eu contei que era apaixonada pela música brasileira e que meu sonho era vir ao Brasil para me apresentar e tudo mais. Essa oportunidade surgiu através dos Boogarins, que disseram que era possível e, claro, eu não acreditava muito, mas seis ou oito meses depois eu estava no Brasil fazendo minha primeira turnê.
Então, foi uma conexão meio surreal, quase divina, algo que eu não consigo explicar, mas foi mágico e acho que isso me trouxe muita confiança, porque durante todo o tempo em que estive no Brasil, eu me sentia muito bem, as pessoas eram incríveis e foi muito legal. Trabalhar com os Boogarins também abriu certas portas dentro de mim e me ajudou a deixar as coisas fluírem. Talvez eu tenha ficado menos tensa e menos fechada, já que sou uma pessoa muito ansiosa e, às vezes, fico apreensiva com encontros, em conhecer pessoas e ir a lugares novos. Mas me abrir para isso foi muito bom e eu agradeço a eles o tempo todo, porque foi realmente muito especial.
Glow Pop BR: Como foi o processo de criação do videoclipe de “Rocking Chair” e quais sentimentos você buscava transmitir através dele?
Laure Briard: Eu fiz esse vídeo com uma grande amiga minha, o nome dela é Norma, que também é musicista. Como compartilhamos muitos gostos em comum, tanto na música quanto no cinema, estamos sempre trocando mensagens e recomendações, como “Você já viu esse filme?”. Claro, na maioria das vezes são filmes dos anos 1960 e 70, muitas vezes filmes americanos, mas não só isso. Queríamos misturar essas referências e eu estava obcecada por uma atriz dos anos 1930, Clara Bow, especialmente pelo filme “Mantrap”, aqueles filmes mudos, sem diálogos, sabe? Então tive essa ideia e a Norma sugeriu a cadeira de balanço junto com o skate, a ideia era fingir que você está indo para algum lugar, atravessando estradas e paisagens sem saber exatamente para onde está indo, trazendo esse elemento de surpresa.
Glow Pop BR: Sua discografia transita por gêneros muito diversos. De que maneira essas diferentes influências sonoras se encontram no novo álbum “Voyage Mental”?
Laure Briard: Neste álbum eu queria algo diferente, nada muito elaborado. Talvez algo mais acústico e com menos arranjos. Queria algo mais puro e mais… cru. Sim, algo mais direto. Mudei um pouco a atmosfera desse disco porque era algo que eu estava sentindo naquele momento, talvez por causa das coisas novas que estavam acontecendo na minha vida. Eu também queria tentar algo diferente, experimentar algo novo.
Glow Pop BR: Como cantar em línguas diferentes, como francês, inglês e português, muda seu processo criativo e a expressão de suas emoções como compositora?
Laure Briard: Não que seja fácil, mas é natural para mim escrever em francês. Mas às vezes tenho a sensação de que não consigo dizer isto ou aquilo em francês, porque não sinto isso, e para mim, é mais fácil usar o inglês, por exemplo. Não tenho uma razão racional, mas simplesmente digo “ah, prefiro dizer essas coisas em inglês”. Não sei exatamente porquê, talvez às vezes as palavras em francês são diretas demais e eu queira disfarçar alguma coisa. Mas quanto ao português, quando sei que preciso escrever a música para gravar um EP, não é algo fácil porque não sou completamente fluente em português, então não é a mesma coisa. Mas sim, às vezes prefiro usar o inglês.
Ouça Voyage Mental logo abaixo!
