Hoje (9) foi confirmado oficialmente que Labrinth não estará presente na trilha sonora da última temporada de Euphoria, com Hans Zimmer assumindo sozinho a composição da nova fase.
Menos de um mês atrás, o cantor e produtor havia feito uma publicação incisiva sobre a indústria, demonstrando esgotamento com o ambiente ao redor do projeto, e agora a confirmação de sua saída apenas formaliza um sentimento que já pairava no ar.
Labrinth foi um dos pilares estéticos que ajudaram a elevar Euphoria ao patamar cultural que ocupa hoje. Muito se fala sobre a fotografia neon, a maquiagem e a direção visual da série, mas estética não se constrói apenas pelo que se vê, mas sustenta pelo que se ouve. Foi justamente na primeira temporada que sua produção se mostrou surpreendente, capturando essa sensação semimágica e meio psicótica por meio de sintetizadores analógicos, vocais etéreos e uma ambiência quase alucinógena. A trilha era capaz de traduzir, por meio do som, todas as emoções que a direção de imagem queria provocar.
Esse trabalho foi tão determinante que se tornou inseparável do arco emocional de Rue, personagem de Zendaya. Faixas como “Forever”, “Formula” e “When I R.I.P.” ajudaram a consolidar a assinatura sonora da série, enquanto “All for Us” talvez permaneça como um de seus momentos mais emblemáticos, um número teatral e anestesiado do final da primeira temporada que não apenas introduz uma das cenas mais marcantes da televisão recente, como também rendeu ao produtor um Emmy em 2020.
Na pandemia, “Still Don’t Know My Name” mirou nos holofotes ao viralizar em trends de maquiagem inspiradas na série, reforçando como a trilha extrapolou a tela e entrou diretamente no imaginário pop.
Na segunda temporada, a parceria entre Labrinth e Zendaya em “I’m Tired” trouxe uma pegada mais gospel e espiritualizada, refletindo de forma brilhante o arco da personagem em outro dos momentos mais devastadores da narrativa e que, mesmo com a mudança visual e o salto estético entre as duas temporadas, o trabalho sonoro do músico permaneceu como a espinha dorsal da obra.
A entrada definitiva de Hans Zimmer, por outro lado, coloca a série em mãos extremamente experientes. Lenda da sonorização no cinema e responsável por algumas das trilhas mais importantes de Hollywood, com trabalhos em Interstellar, Duna, Código Da Vinci, O Rei Leão e Gladiator, Zimmer certamente tem capacidade de entregar tensão e sofisticação. Entretando, Euphoria sempre foi, em grande parte, também a música de Labrinth e lamentavelmente, o produtor será uma grande perda no desfecho da série.
Labrinth se apresenta neste sábado (11) no Coachella, em seu retorno ao festival desde 2023, edição marcada pelas participações de Zendaya e Billie Eilish em um dos momentos mais comentados da temporada.
