Artistas para entrar no radar: Grammy 2026

Foto: Reprodução

À medida que o Grammy se aproxima, artistas já consolidados por trajetórias amplamente reconhecidas dominam o debate público. No entanto, esse foco recorrente pode ofuscar nomes que, embora indicados e munidos de identidade sonora, ainda não ocupam o mesmo espaço midiático. A Glow Pop Brasil reuniu alguns desses nomes que demonstram fôlego artístico para figurar com o mesmo peso simbólico entre os colegas indicados nas grandes categorias, e você pode conferir todos logo abaixo.

Leon Thomas

Conhecido inicialmente por seu papel na série teen Victorious, da Nickelodeon, o artista transformou essa exposição em um ponto de partida estratégico para sua carreira musical nos bastidores da indústria. A vivência no programa não apenas o projetou artisticamente, mas também o conectou a co-star Ariana Grande, parceria que se estendeu para além da televisão e se firmou na música.

Como compositor e produtor, Leon esteve envolvido em faixas importantes da artista e, ao longo dos anos, acumulou colaborações com nomes como SZA, Drake, Kehlani, inclusive ganhando seu primeiro Grammy em 2024 pela coautoria e produção de “Snooze”.

Em MUTT (2024), Leon afirma sua identidade autoral ao unir R&B alternativo, neo-soul e texturas eletrônicas em uma sonoridade intimista e densa. A abertura estabelece esse tom expansivo com camadas instrumentais densas e arranjos que buscam grandiosidade, enquanto faixas como “Mutt” e “Dancing with the Demons” revelam sua habilidade em criar atmosferas carregadas com uma produção experimental.

O álbum alterna faixas atmosféricas e produção experimental com participações de Ty Dolla $ign, Wale e Masego, ampliando seu reconhecimento comercial e crítico e lhe rendeu seis indicações ao Grammy 2026, incluindo Álbum do Ano e Melhor Álbum de R&B.

Coco Jones

Em Why Not More?, a cantora Coco Jones apresenta um trabalho centrado na força e na precisão de sua voz, elemento que conduz toda a experiência do álbum. Desde os primeiros instantes, fica evidente que o projeto busca posicioná-la como uma das vozes mais promissoras para os próximos anos, sustentando-se mais na performance vocal do que em experimentações radicais de produção.

A sonoridade circula entre o R&B atual e elementos do rap americano, buscando equilíbrio entre apelo comercial e identidade artística. Em “Taste”, a interpolação de “Toxic, de Britney Spears, chama atenção, mas embora o álbum, em alguns momentos, permaneça em zonas estéticas confortáveis, faixas como “Here We Go (Uh Oh)” e “Hit You Where It Hurts” introduzem rupturas importantes, cuja textura acústica traz respiro à sequência.

Músicas como “You”, “By Myself” e “Forever Don’t Hit Like Before” equilibram sensualidade, introspecção e apelo comercial, revelando uma artista em processo de amadurecimento. Why Not More? não se impõe pela inovação extrema, mas pela consistência e pelo carisma vocal, indicando um caminho sólido para os próximos passos de Coco.

Dijon

Dijon desponta como um dos artistas que melhor traduzem a sensibilidade do R&B alternativo da nova geração, combinando crueza emocional e experimentação estética. Sua ascensão ocorre em um contexto em que o gênero passa por reconfigurações, e sua assinatura sonora se destaca pelo uso expressivo de modulações vocais, gravações com textura distorcida e instrumentações que soam orgânicas e imperfeitas de forma proposital.

Dijon, ao lado de MK.gee, também deixou sua marca no álbum Swag de Justin Bieber, um dos lançamentos mais importantes de 2025, contribuindo como produtor e compositor em faixas como Daisies, “Devotion” e “Yukon”. Em Absolutely (2021), Dijon já demonstrava essa proposta ao unir vulnerabilidade lírica e produção intimista, conquistando atenção da crítica e do público por sua abordagem honesta e pouco polida.

Seu trabalho mais recente, Baby (2025), aprofunda essa linguagem ao expandir a paleta sonora sem perder a espontaneidade que o caracteriza. O álbum transita entre baladas minimalistas, momentos quase confessionais e faixas com maior densidade instrumental, sempre priorizando a sensação de proximidade entre artista e ouvinte. Tal equilíbrio entre risco artístico e coerência estética consolida Dijon como um nome central de sua geração e reforça sua projeção como um dos artistas mais relevantes do cenário atual.

Olivia Dean

Com The Art of Noticing, a talentosa Olivia Dean constrói um álbum que se destaca pela delicadeza e pela atenção aos detalhes emocionais do cotidiano. Sua proposta estética valoriza a suavidade vocal e a clareza interpretativa, criando um espaço sonoro que convida à escuta atenta e à contemplação. Em um mercado frequentemente orientado pela grandiosidade e pelo impacto imediato, Dean opta por uma abordagem mais sutil, baseada na autenticidade e na coerência artística.

O disco evidencia uma artista que compreende profundamente sua identidade musical e visual. O flerte com o retrô, aliado a uma sonoridade contemporânea e acessível, reforça seu charme e diferenciação no cenário atual. Apesar de contar com uma indicação ao Grammy na categoria de Melhor Novo Artista é inegável que Olivia Dean ainda possui um campo amplo a explorar em termos de reconhecimento institucional, especialmente diante de concorrentes igualmente fortes.

The Art of Noticing não apenas fortifica Olivia Dean como um dos nomes mais diferentes de 2025, mas também aponta para um futuro promissor, sustentado pela sensibilidade e pela elegância. Espera-se que seu próximo projeto não apenas prolongue essa trajetória, mas também amplie sua atuação criativa, consolidando-a como uma presença duradoura na música contemporânea, capaz de articular identidade sonora e impacto cultural de forma duradoura.

Bilal

Em Adjust Brightness, o ainda desconhecido Bilal reafirma sua posição como um dos artistas mais sofisticados da música soul contemporânea. O álbum propõe uma fusão densa entre R&B progressivo, neo-soul e soul psicodélico, atravessada por elementos de funk, jazz e eletrônica ambiental. Lançado em um contexto dominado por produções digitais homogêneas, o disco se destaca por sua busca consciente por calor humano, intimidade e organicidade sonora.

As paisagens eletrônicas não anulam a presença do corpo e da emoção; ao contrário, funcionam como camadas que ampliam a expressividade vocal e instrumental do artista. Faixas como “Who We R Now” e “Quantum Universe” revelam sua capacidade de transitar entre gêneros dentro de uma mesma composição, articulando reflexões sobre identidade, espiritualidade e condição humana.

O encerramento com “Micro Macro” sintetiza o projeto em uma estrutura elegante e introspectiva, consolidando Adjust Brightness como um álbum que desafia convenções e reafirma a relevância artística do artista, indicado a categoria Melhor Álbum R&B Progressivo na premiação.

FLO

Em Access All Areas, o trio britânico FLO apresenta uma estreia que revisita o R&B dos anos 2000 sem abrir mão de acabamento pop atual. As harmonias vocais densas e bem trabalhadas evocam grupos clássicos do gênero, mas são reinterpretadas sob uma ótica moderna, marcada por confiança, atitude e clareza de propósito, o que remete a comparações a Destiny’s Child.

Introduzido por uma abertura narrada por Cynthia Erivo, o disco já estabelece sua proposta conceitual ao posicionar Jorja Douglas, Stella Quaresma e Renée Downer como herdeiras de uma linhagem de girl groups marcada por harmonias vocais densas, atitude e senso de coletividade. Faixas como “AAA” e “How Does It Feel” evidenciam essa ambição sonora, combinando sensualidade, polimento melódico e um tratamento vocal que privilegia equilíbrio e precisão, enquanto canções como “In My Bag” e “Nocturnal” destacam a coesão do trio na construção de harmonias sutis, porém expressivas.

Destin Conrad

Em Love on Digital, o cantor Destin Conrad constrói um álbum coeso e atmosférico, marcado por uma paleta sonora vibrante e uma abordagem sensível do R&B em um equilíbrio de melancolia e leveza, explorando temas de intimidade, desejo e identidade com naturalidade. A produção valoriza transições suaves e arranjos que sustentam o clima envolvente do disco.

Mesmo quando flerta com referências reconhecíveis do gênero, Destin mantém uma identidade própria, especialmente ao incorporar elementos caribenhos e nuances acústicas em meio à estética digital. As participações especiais são bem integradas e ampliam a textura do álbum sem comprometer sua unidade. Love on Digital se destaca não apenas pela qualidade musical, mas também por sua representação explícita e afirmativa da experiência negra e queer, consolidando Destin Conrad como um nome relevante na cena atual.

Vale lembrar que a cerimônia do Grammy, principal premiação da indústria da música, acontecerá neste sábado, 1º de fevereiro, na Crypto.com Arena, em Los Angeles, nos Estados Unidos, reunindo alguns dos artistas mais relevantes da cena musical internacional. A premiação será transmitida a partir das 21h30 (horário de Brasília) nas plataformas de streaming HBO Max e no canal de assinatura TNT.

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