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Desde o início da carreira, o Deftones seguiu um caminho próprio. A banda surgiu no final dos anos 1980 em um período marcado por cenas bem definidas dentro do rock pesado, mas nunca se limitou a um único rótulo. Tal escolha ajudou os integrantes a atravessarem diferentes fases da indústria musical sem perder espaço.
Uma das atrações do Lollapalooza Brasil em 2026, o grupo formado em Sacramento, na Califórnia (EUA), tem sua relevância atualmente ligada à forma como eles se mantiveram ativos e coerentes, mesmo com mudanças no mercado, no público e nos formatos de consumo de música.
A relação do Deftones com os gêneros musicais
O Deftones costuma ser associado ao metal alternativo e ao nu metal, mas essas categorias não explicam totalmente seu som. Desde os primeiros discos, a banda combinou peso com elementos melódicos, passagens mais lentas e estruturas pouco convencionais. A abordagem permitiu que o grupo dialogasse com públicos distintos. Ao longo do tempo, o Deftones passou a ser ouvido tanto por fãs do metal quanto por pessoas vindas de cenas alternativas e independentes.
Mudanças ao longo da discografia
Cada álbum do Deftones apresenta diferenças claras em relação ao anterior. Há mudanças de ritmo, de produção e de composição, mas sem uma ruptura do som que fazem. A banda testa novas ideias, mas mantém uma base reconhecível. Essa evolução gradual ajuda a explicar por que o catálogo do grupo continua sendo revisitado. Quem ouve, consegue perceber fases distintas, sem a sensação de repetição ou descaracterização.
Na carreira, o Deftones trabalhou com produtores diferentes e adotou abordagens variadas em estúdio. Ainda assim, a banda manteve um padrão reconhecível, baseado em camadas de guitarra, linhas de baixo marcadas e baterias que alternam peso e contenção. Tais escolhas ajudam a construir músicas que funcionam tanto em gravação quanto ao vivo.
Presença entre diferentes gerações
O Deftones segue sendo descoberto por ouvintes mais jovens, ao mesmo tempo em que mantém um público antigo. Parte disso se deve à circulação constante da banda em plataformas digitais, trilhas sonoras e festivais. O grupo não depende apenas de um período específico da carreira para se manter em evidência e construiu uma trajetória que combina consistência e adaptação.
Sem mudanças abruptas ou reposicionamentos forçados, a banda encontrou um espaço próprio dentro do rock pesado. Esse percurso ajuda a entender por que o nome Deftones segue presente em discussões sobre o gênero, mesmo após tantos anos.
O que esperar do show no Lollapalooza
A apresentação do Deftones no Lollapalooza BR, que acontecerá nos dias 20, 21 e 22 de março no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, marcará mais um capítulo da relação da banda com grandes festivais. Ao longo de sua trajetória, o grupo acumulou uma reputação consistente ao vivo, com shows que priorizam execução direta e foco no repertório.
No palco, o Deftones costuma alternar músicas de diferentes fases da discografia. Faixas mais conhecidas aparecem ao lado de composições recentes, sem divisão rígida entre “clássicos” e material novo. Essa escolha mantém a performance acessível tanto para quem acompanha a banda há anos quanto para quem terá o primeiro contato no festival.
O setlist da apresentação tende a equilibrar músicas mais pesadas com momentos de andamento mais contido. A banda não aposta em grandes interações ou discursos longos entre as músicas. Sendo assim, a condução do show acontece, principalmente, pela sequência das canções e pela dinâmica em palco. Além disso, o vocalista Chino Moreno mantém uma postura mais voltada à performance vocal, o que reforça a atmosfera da apresentação e o foco na música.
Em festivais, o Deftones adapta o repertório ao tempo disponível, priorizando músicas que funcionam bem em espaços abertos e para públicos diversos e a estrutura do show costuma ser mais objetiva, sem grandes variações de arranjo ou longas improvisações. A expectativa para a apresentação no festival paulista é de uma apresentação direta, com atenção ao repertório e à resposta do público. Alguém ansioso por aí?
