Joe Keery: o ator que estará no Lollapalooza Brasil e conquistou o indie como DJO

Foto: divulgação

Já imaginou construir uma trajetória artística em duas frentes e alcançar reconhecimento sólido em ambas? Joe Keery, amplamente conhecido por seu papel na popular série da Netflix Stranger Things, personifica esse percurso ao revigorar, de forma paralela, uma carreira relevante tanto na atuação quanto na música.

Formado em teatro pela DePaul University, em Chicago, nos Estados Unidos, o astro passou por participações pontuais em outras produções da televisão americana como Empire e Chicago Fire. Joe também estrelou campanhas publicitárias, acumulando destaque em sua participação em um comercial para a rede Domino’s Pizza, no qual reinterpretou o icônico Ferris Bueller, protagonista do clássico do cinema Curtindo a Vida Adoidado (1986).

No entanto, o primeiro grande ponto de inflexão de Keery veio mesmo com Stranger Things, que, desde 2016, o projetou internacionalmente ao interpretar Steve Harrington, personagem que rapidamente conquistou o público e se tornou um dos mais queridos da série, levando o ator a permanecer como protagonista nas temporadas seguintes.

Apesar da fama alcançada com a atuação, Joe integrou na banda de rock psicodélico Post Animal, em que atuava como guitarrista e apoio vocal, formando a base de sua sensibilidade sonora, embora ele tenha deixado o grupo antes do lançamento do primeiro disco oficial devido ao conflito de agenda pelo contrato assinado com a Netflix.

Essa tomada de decisão, anos depois, faria o cantor a escrever o sucesso “End of Beginning” sob o pseudônimo DJO, que está na programação do Lollapalooza Brasil neste ano. Originalmente lançada como parte do álbum Decide (2022), a faixa começou a ganhar tração tempos depois após viralizar no TikTok, o que a impulsionou a entrar nas principais tabelas de desempenho internacional.

Com o crescente interesse, o single alcançou o topo das principais paradas internacionais no início de 2026 e se tornou um dos mais reproduzidas em todo o mundo durante seu ressurgimento. O tom emotivo da canção, a atmosfera nostálgica e a letra reflexiva ressoaram fortemente com os ouvintes, ajudando-a a ultrapassar os círculo alternativo e alcançar o reconhecimento do grande público.

O catálogo de DJO flerta com o pop psicodélico dos anos 1970, ao mesmo tempo que envolve o indie/electropop moderno, sendo frequentemente comparada a artistas como Tame Impala e Electric Light Orchestra por sua produção exuberante e complexa e texturas nostálgicas. Por falar em Tame Impala, o artista também integrou o universo visual do projeto ao estrelar o clipe de Loser, um dos lançamentos recentes do grupo australiano liderado por Kevin Parker.

Um dos aspectos mais irônicos da trajetória de DJO, aliás, reside justamente na tentativa inicial de ocultar a identidade de Joe Keery por meio de perucas e figurinos que apagavam sua imagem pública. A estratégia, adotada para evitar associações imediatas com seu trabalho como ator, perdeu força à medida que o projeto ganhou projeção midiática.

Com o tempo, Keery passou a compreender que a exposição e a vulnerabilidade, longe de limitarem sua expressão artística, ampliaram as possibilidades de conexão com o público, aproximando fãs não pela construção de um personagem, mas pela afirmação de sua identidade real.

Joe Keery homenageia seu colega de elenco de Stranger Things , Charlie Heaton

A dimensão autobiográfica constitui um dos eixos centrais da produção de Joe Keery em seu projeto musical, o que foi evidenciado de maneira particular em composições como “Charlie’s Garden”, concebida a partir da convivência com Charlie Heaton (Jonathan Byers) durante o período de gravações de Stranger Things. No âmbito sonoro, notadamente o projeto dialoga em ecos dos Beatles e da ELO.

Keery recorda que, à época, Charlie Heaton e Natalia Dyer, intérprete de Nancy Wheeler, residiam juntos, enquanto ele dividia uma casa com um amigo, situação que fazia com que os quintais das duas propriedades fossem contíguos.

Nesse ambiente de convivência informal, cenas cotidianas se tornaram parte de sua memória afetiva, pois Heaton frequentemente ocupava o espaço externo realizando tarefas domésticas, ao passo que, nos dias de folga durante o verão, Keery permanecia do outro lado tocando violão. A imagem recorrente do improviso musical acabou se fixando como um fragmento simbólico daquele período, posteriormente impulsionando à composição.

A presença do universo de Stranger Things não se restringe a essa faixa. Em “Delete Ya”, canção que assume contornos de hino de término sob influência estética do The Police, surgem referências indiretas à amizade entre os colegas e à experiência compartilhada na série.

No plano sonoro, o disco evidencia um repertório de influências vasto e assimilado com naturalidade. Elementos que evocam The Cars e Fleetwood Mac convivem com referências mais explícitas aos Beatles e aos Strokes. Ainda que tais matrizes sejam perceptíveis, o resultado revela uma síntese autoral que distancia o projeto de qualquer ideia de empreendimento ocasional.

Em entrevista à CNN Brasil, o artista destacou sua admiração pela música brasileira, citando Tim Maia como uma de suas principais referências e mencionando Marcos Valle entre os nomes que integram suas escutas frequentes. Vale lembrar que o Lollapalloza Brasil 2026 vai acontecer nos dias 20, 21 e 22 de março, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, trazendo ainda outros nomes da cena indie mundial como Interpol, TV Girl e Royel Otis.

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