Foto: João Caldas
Impulsionado por um amor incondicional, Renato Borghi homenageia uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos com o musical Minha Estrela Dalva, que estreia a partir de 28 de março, no Teatro do Sesi, em São Paulo, de quinta a domingo, com ingressos disponíveis em breve pelo site do SesiSP.
Às vésperas de completar 89 anos, Renato subirá ao palco para reviver o delírio de ter sido amigo, confidente e “filho artístico” de Dalva de Oliveira, como ele relembrou:
“Tudo começou com um Renato ainda menino. Aos seis anos de idade, ganhei de minha mãe um disco da trilha sonora de ‘A Branca de Neve’, onde a voz da princesa era interpretada por Dalva de Oliveira. Ali, na vitrola da infância, nasceria uma paixão avassaladora e que atravessaria décadas, palcos e revoluções, culminando no encontro real e improvável entre fã e diva poucos anos antes dela nos deixar.”
Em 2026, essa memória ganha novo corpo e nova voz no palco, em um encontro de gigantes. Soraya Ravenle, que iniciou sua brilhante carreira no teatro musical integrando o coro de A Estrela Dalva (1987), grande sucesso de Borghi com Marília Pêra, retorna para ocupar o centro da cena e encarnar a própria estrela.
Com potência vocal e sensibilidade rara, ela interpreta a “Rainha do Rádio” e mostra a força da natureza que cantou a dor rasgada antes disso virar moda; a mulher que desafiou os moralismos de sua época com o peito aberto e a garganta em chamas. Soraya traz à cena o mito humano, o “Rouxinol do Brasil” que ensinou a um país inteiro que o sofrimento, quando cantado, vira beleza. Em nota para a imprensa, ela conntou:
“Dalva é a quarta mulher que transforma a minha vida. Não volto a ela apenas como intérprete, volto como alguém atravessada por sua coragem. Em cena, eu não a interpreto, eu a convoco, canto a mulher que desafiou seu tempo com o peito aberto e transformou dor em beleza. E estar ao lado de Renato Borghi é viver um encontro de amor e memória, ele escreve para sua musa e eu tenho a honra de dar corpo e voz a essa história diante do público.”
Em um jogo cênico vertiginoso, Renato Borghi divide a cena com sua própria juventude. Elcio Nogueira Seixas, além de dirigir o espetáculo, interpreta o Renato de 1969, jovem ator da contracultura que, entre a rebeldia do Teatro Oficina e o glamour do rádio, descobre em Dalva a alma do Brasil. Em comunicado, Elcio explicou:
“Desde o início dos anos 1990, divido e multiplico a cena do mundo com Renato. Fui seu aluno e tornei-me seu parceiro na arte. Dalva entrou em mim como entrou nele, pela voz, pelo espanto, pelo chamamento. Só que o meu bolachão de 78 rotações foi o próprio Borghi. Hoje dirijo Minha Estrela Dalva ao lado de meu amado amigo e mestre Elias Andreato, que foi quem me aproximou do Renato. E, no palco, sou ele jovem, o menino de sete anos que ouviu aquela voz pela primeira vez e nunca mais foi o mesmo. Neste espetáculo, sigo a receita antropófaga de Oswald de Andrade e faço a devoração de Renato e Dalva.”
Completando o triângulo de paixões, Ivan Vellame empresta sua voz de rara beleza para dar vida aos amores de Dalva, com destaque para o compositor Herivelto Martins, trazendo ao palco os sambas imortais e os conflitos públicos e midiáticos que marcaram a era de ouro do rádio. Ao comentar o espetáculo, Ivan afirmou:
“A Dalva que Renato nos traz é uma convocação para adentrarmos a vida de uma mulher que viveu de alma nua, vocacionada para o Amor e para a Arte. Eu entro representando uns cabras que estranhavam o Amor. Construindo com a direção, chegamos a uma encenação não documental, onírica e mítica, mas que não perde o valor de reflexão de que esses homens, os estranhos ao Amor mas que amavam muito, Bruno, Herivelto e Kiko, viam o feminino como sinônimo de desqualificação do masculino. Eu espero que, principalmente os homens, saiam do teatro mais amorosos, menos machões. Se eu for vaiado em cena, por perceberem que homens assim já não tão com nada há muito tempo, vai ser lindo. Eu espero que, nós homens, honremos a feminilidade que nos é intrínseca.”
A direção de Minha Estrela Dalva é dividida com o renomado Elias Andreato, que investiu em sua sensibilidade e experiência para extrair o melhor de cada intérprete e dar forma ao texto poético escrito por Borghi, como ele mesmo definiu:
“Em ‘Minha Estrela Dalva’, Renato Borghi escreve uma declaração de amor à sua musa eterna, Dalva de Oliveira. Ao lado de Elcio Nogueira Seixas, construímos um espetáculo que é memória, música e exposição profunda. Soraya Ravenle não interpreta Dalva, ela a faz pulsar, e ver Renato se confrontar com sua própria história em cena é testemunhar um dos gestos mais íntimos e corajosos do teatro.”
