O segredo por trás do show de Lorde que hipnotizou os fãs no Lollapalooza Brasil

Foto: Reprodução

Em uma das performances mais aguardadas do line-up, Lorde foi eleita pelo g1 como o melhor show desta edição do Lollapalooza Brasil, que acontecia no domingo passado (22). Mas o que há de tão especial em um show de Lorde que vai além das músicas e provoca uma comoção tão intensa no público?

Para muitos fãs, existe algo que ultrapassa a simples admiração por uma artista, não se trata de uma relação parassocial ou de idolatria comum. Com Lorde, a sensação é de proximidade emocional, quase como se sua discografia acompanhasse os estágios da vida de quem a escuta. Desde o início, sua obra sempre esteve profundamente ligada ao crescimento, à vulnerabilidade e às inquietações da juventude e talvez seja exatamente isso que faça sua conexão com o público soar tão singular.

Lorde surgiu na indústria em 2013, ainda com apenas 16 anos, com o lançamento de Pure Heroine, um álbum que rapidamente se tornou um marco do pop alternativo da década passada. Liricamente, o álbum mergulha em temas como ansiedade social, inadequação, tédio, desejo, insegurança e o medo constante de não pertencer. Um disco sobre juventude, mas sem romantizar a juventude. Faixas como “Ribs” traduzem isso com precisão.

O mais curioso é que mesmo que sentimos esse medo de envelhecer, ele não deixa de nos atravessar. O mais bonito da vida talvez seja crescer ao lado de pessoas que estejam dispostas a compartilhar a vida e dividir a incerteza do futuro tendo a certeza que se têm.

Quatro anos depois, Melodrama elevou essa narrativa a outro nível em um dos álbuns mais atemporais da década de 2010. Rico em produção, texturas e emoção, o disco aprofunda as dores do amadurecimento, agora não mais sob a ótica da adolescência, mas da entrada turbulenta na vida adulta.

Em “Liability”, “Hard Feelings/Loveless” e “Supercut”, Lorde constrói uma espécie de trindade emocional sobre solidão, fim, excesso e memória afetiva, mas, ainda assim, é em “Green Light” que ela domina o que é dela. Ao vivo, a música se transforma em catarse quase religiosa, um momento em que o público inteiro parece se entregar por completo e não houvesse o amanhã.

Solar Power parte da mesma perspectiva emocional, mas a transporta para uma linguagem mais acústica e contemplativa, reforçando que, independentemente da sonoridade escolhida, a essência do que Lorde constrói permanece intacta. Dentro desse universo, “Stoned at the Nail Salon” talvez seja uma das faixas mais emotivas do álbum ao revisitar a passagem do tempo e o amadurecimento, sugerindo que, com os anos, não apenas mudamos, mas também transformamos nossos gostos, desejos e a forma como enxergamos a própria vida.

Quatro anos depois, Virgin (2025) chega como um trabalho mais eletrônico, alternativo e ainda mais íntimo, em que a artista abraça transformações de identidade, androginia e companheirismo. Ella escreve sobre crescer, e seu público cresce com ela, mas, paradoxalmente, em seus shows, todos parecem voltar a ser adolescentes por algumas horas.

David Bowie talvez tenha resumido a dimensão artística da cantora neo zelandesa da forma mais precisa possível ao dizer que ouvi-la era como “escutar o amanhã”, uma leitura quase profética.

No Lollapalooza 2026, o show, repleto de hits, uniu milhares de pessoas em uma experiência genuinamente coletiva. Amigos pulando juntos, desconhecidos cantando em coro, abraços, lágrimas e celebração. Em um cenário em que cada vez mais as pessoas assistem aos shows através da tela do celular, os closes ficaram em segundo plano, o sentimento foi prioridade e isso por si so ja é digno de ser entitulado o melhor show da edição.

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