Hoje marcam três anos desde o lançamento de The Record, álbum que transformou o Boygenius em um fenômeno e rendeu três Grammys. Mas por onde anda a banda após o sucesso?
O Boygenius é, antes de tudo, a definição mais precisa do que significa um supergrupo dentro da música alternativa contemporânea. Formado por Phoebe Bridgers, Lucy Dacus e Julien Baker, o trio reúne três artistas que já possuíam carreiras sólidas e bases de fãs muito próprias, mas que, juntas, encontraram uma sonoridade ainda mais potente.
A origem do projeto tem algo de quase literário, o que combina perfeitamente com a sensibilidade do trio. Lucy Dacus e Julien Baker se conheceram nos bastidores de um show em Washington D.C., em 2016, quando ainda promoviam seus álbuns de estreia. O encontro rapidamente se transformou em amizade, impulsionado por um interesse mútuo por literatura, trocas de e-mail e um clube do livro que logo passaria a incluir Phoebe Bridgers.
A força do grupo está justamente nessa intersecção entre individualidades muito marcadas e uma química criativa que transforma três vozes distintas em uma unidade emocional rara dentro do indie.
O primeiro movimento veio com o EP self-titled de estreia, lançado em 2018, que rapidamente se tornou um marco dentro da cena alternativa. Mesmo após o hiato que se seguiu, a conexão criativa entre as três nunca pareceu se desfazer completamente. Em suas carreiras solo, era possível perceber ecos desse vínculo em composições que dialogavam entre si, como “Graceland Too”, “Favor” e “Please Stay”, faixas que quase formam uma espécie de trindade sombria e emocional, marcada por vulnerabilidade e um senso de acolhimento muito particular.
O grande retorno aconteceu em 2023 com The Record, álbum primogênito que consolidou o trio como um dos projetos mais relevantes da década. Gravado em menos de dois meses, o disco foi recebido com enorme aclamação crítica e transformou o Boygenius em um fenômeno não apenas do indie, mas da música pop alternativa em escala global. O projeto ganhou ainda mais força com o lançamento de The Film, curta dirigido por ninguém menos que Kristen Stewart, que costura visualmente faixas como “$20”, “Emily I’m Sorry” e “True Blue”, ampliando o universo narrativo do álbum. Em 2024, o reconhecimento se concretizou com três vitórias no Grammy Awards, além da performance no renomado Coachella.
Mas, afinal, o que aconteceu com o Boygenius?
Apesar do sucesso, as integrantes deixaram claro que fariam uma pausa dos holofotes, sem descartar um retorno futuro. Três anos depois, ainda não há sinais concretos de novos lançamentos de Phoebe Bridgers, o que naturalmente alimenta a curiosidade dos fãs. Em contrapartida, Lucy Dacus seguiu em destaque ao lançar no ano passado Forever Is a Feeling, seu primeiro álbum em quatro anos, recebido com aclamação pela crítica e marcado por um vocal cru e uma escrita cada vez mais madura. É interessante perceber como, juntas, as três vozes se completam com excelência, mas, separadas, continuam igualmente poderosas.
Nesse mesmo período, Lucy revelou estar em um relacionamento com Julien Baker, o que reforça a ideia de que ao menos parte do trio permanece em contato íntimo. Julien, por sua vez, também arregaçou as mangas e deu início a um novo capítulo em sua trajetória no ano passado, retornando após quatro anos desde seu último álbum solo. Em Send A Prayer My Way, a artista se aproxima de uma sonoridade mais country e folk. O projeto é construído em parceria integral com TORRES, formando um diálogo criativo que amplia a textura sonora do disco e revela uma nova faceta de Julien, agora explorando caminhos mais terrosos, melódicos e narrativos.
No entanto, Phoebe Bridgers segue, até o momento, sem sinais recentes de um novo projeto solo, e essa ausência naturalmente abre espaço para especulações entre os fãs. Tivemos a oportunidade de receber a cantora no line-up lendário do Primavera Sound 2022, em um dos últimos shows da era Punisher antes de assumir um papel central no Boygenius. Stranger in the Alps (2017) talvez siga como um dos lançamentos mais intrigantes de sua carreira, mesmo quase dez anos depois, mantendo a mesma força emocional e estética que conquistou tanta gente.
Talvez ainda seja cedo para falar em um retorno musical, mas não custa sonhar com a volta da cantora e, quem sabe, com o trio reunido novamente.
