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Desde que surgiu ainda adolescente na cena musical australiana, Ruel vem construindo uma trajetória marcada por composições confessionais e uma sonoridade que transita entre pop, R&B e influências alternativas. O artista ganhou projeção internacional com o EP Ready e consolidou sua identidade com o álbum de estreia 4th Wall, lançado em 2023.
Agora, Ruel apresenta um novo capítulo com Kicking My Feet, trabalho que amplia suas referências sonoras e revela um processo criativo mais intenso e experimental. O projeto surge após um período prolífico de composição, no qual o cantor escreveu centenas de músicas até chegar à seleção final do disco.
Em conversa com a Glowpop, o artista fala sobre a construção do novo álbum, a evolução de sua identidade musical e os desafios de transformar experiências pessoais em canções. Ruel também compartilha sobre a relação próxima com os fãs e reflete sobre a experiência de se apresentar em festivais na América do Sul.
Glow Pop Brasil: Seu novo álbum Kicking My Feet apresenta uma produção mais rica em texturas e camadas sonoras. Como foi o processo criativo por trás da construção desse projeto?
Ruel: Esse álbum nasceu muito de um desejo meu de escrever sobre o amor de uma forma mais leve e positiva, sem aquele medo constante de que tudo fosse acabar em algum momento. Acabei até caindo em alguns clichês (risos), mas foi um processo honesto. Passei cerca de dois anos compondo, até chegar nas dez faixas que realmente representassem o que eu queria dizer.
Glow Pop Brasil: Você escreveu mais de 200 músicas durante o processo do álbum. Como foi o critério para decidir quais entrariam em Kicking My Feet e quais ficariam de fora? Existe a possibilidade de algumas dessas canções aparecerem em futuros lançamentos?
Ruel: Acho que 200 músicas realmente foram um número alto, em certo ponto, até me assustou. Mas, aos poucos, tudo começou a fazer sentido. A cada 10 ou 20 músicas, eu selecionava algumas que considerava “inegociáveis” e colocava em uma espécie de lista final do álbum. Ainda existem várias canções que eu gostaria de lançar futuramente — “Don’t Say That”, por exemplo, é uma delas, então, com certeza, haverá um momento para isso.
Glow Pop Brasil: Por que escolheu o Brasil para o lançamento de “Don’t Say That”?
Ruel: Quando estive aqui há três anos, fiz um dos shows mais incríveis da minha carreira. Tocar no Lollapalooza no Chile e na Argentina foi especial, mas havia algo sobre o Brasil que ficou comigo. Quis encerrar essa nova passagem por aqui em grande estilo, em um dos maiores shows, com a mesma intensidade, lançar “Don’t Say That” nesse momento pareceu perfeito.
Glow Pop Brasil: O público brasileiro costuma ser reconhecido pela intensidade e energia durante os shows. Na sua experiência, qual foi a diferença mais marcante entre se apresentar no Brasil e em outros países?
Ruel: É um outro nível de energia que vocês têm, às vezes tento entender de onde vem e por que é tão intenso. Talvez exista uma certa competitividade entre os países daqui, como se fosse um jogo contra o maior rival, ainda mais depois de eu ter vindo da Argentina. Sempre me perguntam quem é mais barulhento ou enérgico, mas isso eu nunca vou dizer (risos). O que posso dizer é que vocês se alimentam dessa energia — e eu acho isso incrível.
Glow Pop Brasil: Em 2023, Any Gabrielly fez uma participação especial no seu show. Podemos esperar alguma surpresa acontecendo pela sua passagem no Lollapalooza?
Ruel: Eu amo a Any, ela é incrível! Adoraria trazê-la de volta, mas, sendo bem honesto, dessa vez serei apenas eu no palco. As surpresas vão ficar por conta das músicas que preparei para o set.
Glow Pop Brasil: Quais são suas expectativas para o Lollapalooza Brasil?
Ruel: Se for algo parecido com o que vivi no Lolla Chile e na Argentina, eu já vou me sentir maravilhado. Estou muito animado para encerrar essa etapa do Lollapalooza neste ano com o Brasil.
Glow Pop Brasil: Tem algo que você ainda quer viver ou fazer no Brasil que não conseguiu na última passagem?
Ruel: Com certeza. Amanhã farei algumas coisas diferentes, inclusive surfar por aqui em algum clube, o que é bem legal. Também adoraria ir a um jogo de futebol do São Paulo para sentir de perto essa atmosfera que eu sempre comento. Não sei se vou ter tempo nos próximos dias, mas seria incrível!
Glow Pop Brasil por @lucasbarcelobre: A vida em turnê costuma gerar histórias inesperadas. Qual foi a situação mais engraçada ou inusitada que você já viveu enquanto viajava pelo mundo em turnê?
Ruel: Tivemos um momento caótico na América do Norte, quando o cabo do nosso ônibus estourou e ficamos parados na estrada, só pensávamos em como chegar ao show. Algumas arenas também pareciam meio assombradas (risos). Já aqui na América Latina, os momentos mais marcantes são os mais descontraídos quando alguém fala algo na plateia e eu não entendo, minha baterista chilena traduz no meu ponto e eu sempre me impressiono.
Glow Pop Brasil por @caio_leones: Se você fosse compor uma música inspirada no Brasil, qual seria o título dessa canção?
Ruel: Caipirinha, clássica!
Glow Pop Brasil por @biiandrader: Se você tivesse que escolher uma música sua para alguém que nunca te ouviu entender quem é o Ruel como artista, qual seria e por quê?
Ruel: Teria que escolher algo mais recente da minha discografia, porque sinto que essas músicas refletem melhor quem eu sou hoje […] passei por muitas eras e momentos diferentes ao longo desses anos, cada fase marcou um tipo de crescimento. Provavelmente escolheria “Wild Guess” ou “Destroyer”.
