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Em uma das performances mais aguardadas do line-up do Lollapalooza Brasil em 2026, Lorde foi eleita pelo G1 como o melhor show desta edição, por performance que aconteceu no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, no último domingo (22). No entanto, o que há de tão especial em um show da cantora neozelandesa que vai além das músicas e provoca uma comoção tão intensa no público?
Para muitos fãs, existe algo que ultrapassa a simples admiração por uma artista, se tratando de mais do que uma relação parassocial ou de idolatria comum. Com Lorde, a sensação é de proximidade emocional, quase como se sua discografia acompanhasse os estágios da vida de quem a escuta. Desde o início, a obra da artista sempre esteve profundamente ligada ao crescimento, à vulnerabilidade e às inquietações da juventude. Muitos poderiam dizer que é exatamente isso que faz sua conexão com o público soar tão singular.
Lorde surgiu na indústria em 2013, ainda com apenas 16 anos, com o lançamento de Pure Heroine, álbum que rapidamente se tornou um marco do pop alternativo da década passada. Liricamente, o disco mergulha em temas como ansiedade social, inadequação, tédio, desejo, insegurança e o medo constante de não pertencer. No geral, era um trabalho de estúdio sobre juventude, mas sem romantizar a mesma, com faixas como “Ribs” traduzindo essa ideia com precisão.
Lorde + Ribs + Brasil = um #LollaBR icônico. pic.twitter.com/FKBR2bMxw8
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O mais curioso é que, mesmo que a gente sinta esse medo de envelhecer, ele não deixa de nos atravessar. O mais bonito da vida, talvez, seja crescer ao lado de pessoas que estejam dispostas a compartilhar a vida e dividir a incerteza do futuro tendo a certeza que se têm.
Quatro anos depois, Melodrama (2017) elevou essa narrativa a outro nível em um dos álbuns mais atemporais da década. Rico em produção e texturas, o disco aprofunda as dores do amadurecimento, agora não mais sob a ótica da adolescência, mas da entrada turbulenta na vida adulta.
Em “Liability”, “Hard Feelings/Loveless” e “Supercut”, Lorde constrói uma espécie de trindade emocional sobre solidão, fim, excesso e memória afetiva. Ainda assim, é com “Green Light” que ela domina o que é dela. Ao vivo, a música se transforma em catarse quase religiosa, momento em que o público inteiro parece se entregar por completo e não houvesse o amanhã.
MAIS DE 100 MIL PESSOAS DANÇANDO GREEN LIGHT COM A LORDE #LollaBR
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Em outra fase, mais positiva, Solar Power (2021) partiu da mesma perspectiva emocional, mas a transporta para uma linguagem mais acústica e contemplativa, reforçando que, independentemente da sonoridade escolhida, a essência do que Lorde constrói permanece intacta. Dentro desse universo, “Stoned at the Nail Salon” provavelmente é uma das faixas mais emotivas do álbum, ao revisitar a passagem do tempo e o amadurecimento, sugerindo que, com os anos, nós mudamos e transformamos nossos gostos, desejos e a forma como enxergamos a própria vida.
Quatro anos depois, Virgin (2025) chegou como um material mais eletrônico e ainda mais íntimo, em que a artista abraça transformações de identidade e androginia. Nele, Lorde escreveu sobre crescer, e seu público cresceu com ela. Apesar disso, paradoxalmente, nos shows todos parecem voltar a ser adolescentes por algumas horas.
David Bowie pode ter resumido a dimensão artística da cantora da forma mais precisa possível ao dizer que ouvi-la era como “escutar o amanhã”, leitura quase profética. No Lolla BR 2026, a apresentação, repleta de hits, uniu milhares de pessoas em uma experiência genuinamente coletiva, com amigos pulando juntos e desconhecidos cantando, além de ter sido marcada por coros, abraços, lágrimas e celebração.
Em um cenário em que cada vez mais as pessoas assistem aos shows através da tela do celular, os closes ficaram em segundo plano. O sentimento durante a apresentação de Lorde foi prioridade, e isso por si só já é digno de ser intitulado como o melhor show da edição deste ano do Lollapalooza Brasil.
