Do engajamento à mudança Hugh Evans explica a missão do Global Citizen no Rio de Janeiro

Hugh Evans destaca a importância do line-up do Global Citizen: Rio de Janeiro e o impacto de suas causas sociais

Foto: divulgação

O Rio de Janeiro se tornou, nos últimos dias, um dos principais centros de debate sobre clima, sustentabilidade e combate à desigualdade. Por trás dessa mobilização está Hugh Evans, ativista australiano e cofundador da Global Citizen, que tem transformado engajamento popular em ações concretas para enfrentar desafios globais.

Recentemente, a instituição realizou o Global Citizen NOW: Rio de Janeiro, reunindo líderes, ativistas e representantes de diversos setores para discutir temas como mudanças climáticas, preservação da Amazônia e redução das desigualdades. Além dos debates, o evento contou com apresentações culturais e musicais, incluindo shows de Lauryn Hill e Wyclef Jean com abertura de Ludmilla. A iniciativa reforça o papel do Brasil, especialmente do Rio de Janeiro, nas discussões globais sobre sustentabilidade e desenvolvimento.

A Glow Pop teve a oportunidade de conversar com Hugh Evans e você pode conferir nossa entrevista com o fundador e CEO do Global Citizen logo abaixo!

Glow Pop Brasil: O Global Citizen é conhecida por unir entretenimento e impacto social. Como o line-up musical foi escolhido para refletir as causas apoiadas pela organização?

Hugh Evans: A música sempre esteve no centro do trabalho do Global Citizen, ela tem uma capacidade única de unir pessoas de diferentes origens, culturas e gerações. Quando montamos um line-up, buscamos artistas que não sejam apenas performers extraordinários, mas que também utilizem suas vozes e plataformas para se conectar com as pessoas.

Para o Global Citizen Live: Rio de Janeiro, reunir Ms. Lauryn Hill e Wyclef Jean para celebrar os 30 anos de The Score, ao lado de uma das artistas mais influentes do Brasil, Ludmilla, foi algo muito especial. Cada um deles possui uma voz artística e uma audiência distintas, mas compartilham a capacidade de inspirar pessoas. Essa combinação entre impacto cultural e excelência artística é exatamente o que buscamos ao construir um palco da Global Citizen.

A música sempre foi uma das formas mais poderosas de unir pessoas em torno de temas importantes. Para o Global Citizen Live: Rio de Janeiro, queríamos um lineup que refletisse talento artístico extraordinário e valores como equidade, justiça e progresso social. Cada artista utiliza sua plataforma para inspirar, provocar reflexões e conectar comunidades. Juntos, eles nos ajudam a transformar conscientização em ação e a engajar novas audiências em conversas sobre clima, educação e oportunidades.

Glow Pop Brasil: O que artistas como Ludmilla, Wyclef Jean, YG Marley, Zion Marley e Ms. Lauryn Hill têm em comum quando falamos de mobilização social e impacto cultural?

Hugh Evans: O que os conecta é a autenticidade. Cada um possui uma voz artística muito própria e uma conexão profunda com seu público.

Seja pela influência de Ms. Lauryn Hill ao longo de gerações, pela capacidade de Wyclef Jean de conectar culturas e estilos musicais, pelo impacto de Ludmilla na música e na cultura brasileira, ou pela forma como YG Marley e Zion Marley dão continuidade a um legado musical extraordinário enquanto constroem seus próprios caminhos, todos eles representam algo maior do que si mesmos.

Os grandes artistas moldam a cultura, iniciam conversas importantes e ajudam as pessoas a enxergar o mundo sob novas perspectivas. Por isso, sua influência vai muito além da música, eles mostram como a cultura pode inspirar as pessoas a se importar com questões que afetam comunidades local e globalmente.

Glow Pop Brasil: Na escolha dos artistas, o engajamento com causas sociais pesa tanto quanto a relevância musical?

Hugh Evans: As pessoas participam de um evento da Global Citizen porque querem assistir a grandes artistas entregando apresentações inesquecíveis.

O que nos entusiasma é quando a conexão de um artista com seu público vai além da música. Muitos dos artistas com quem trabalhamos usam suas plataformas para apoiar causas importantes, fortalecer comunidades e dar visibilidade a temas relevantes, mas não existe uma fórmula única. Cada artista é diferente.

Nosso papel é criar uma plataforma onde música extraordinária e ação significativa possam caminhar juntas. Quando essas duas coisas se encontram, o impacto pode ser realmente poderoso.

Glow Pop Brasil: Existe uma mensagem central que conecta todos os artistas desta edição, apesar das diferenças de gênero musical e geração?

Hugh Evans: Esses artistas vêm de diferentes gerações, estilos musicais e regiões do mundo, mas todos se conectaram aos objetivos da nossa campanha de criar 10 mil empregos verdes na Amazônia e em toda a América Latina, além de ampliar o acesso à educação e às oportunidades para jovens por meio do Fundo de Educação FIFA Global Citizen e de parcerias aqui no Brasil.

O apoio deles ajudou a impulsionar mais de 1,7 milhão de ações realizadas por Global Citizens no Brasil e ao redor do mundo.

Glow Pop Brasil: O Refugee Project reflete valores frequentemente explorados por Lauryn Hill em sua música. Como você enxerga a música se transformando em mudança social concreta?

Hugh Evans: A música ajuda as pessoas a se conectarem com experiências que talvez nunca tenham vivido pessoalmente. Uma grande canção pode gerar empatia de uma forma que poucas outras formas de comunicação conseguem. Isso é algo que Ms. Lauryn Hill faz ao longo de toda a sua carreira. Sua música sempre explorou temas como identidade, justiça, resiliência e a experiência humana de uma forma profundamente significativa.

Mudanças sociais raramente começam com uma estatística. Na maioria das vezes, elas começam quando as pessoas se sentem conectadas a uma causa e umas às outras. A música tem uma capacidade extraordinária de criar essa conexão, e é por isso que continua sendo uma força tão poderosa na cultura.

Glow Pop Brasil: Wyclef Jean tem uma longa trajetória de ativismo e trabalho humanitário no Haiti. Como isso se conecta à missão do Global Citizen?

Hugh Evans: Wyclef faz parte da família Global Citizen há muitos anos, tanto como artista quanto como Embaixador. O que sempre chamou atenção nele é que seu compromisso com o Haiti e com as comunidades que apoia não é algo separado de sua música, faz parte de quem ele é.

Ao longo de sua carreira, ele utilizou sua plataforma para dar visibilidade a temas importantes, ao mesmo tempo em que uniu pessoas por meio da música e da cultura. Isso está totalmente alinhado com o que valorizamos no Global Citizen.

Acreditamos que artistas podem desempenhar um papel importante ao ajudar as pessoas a se engajarem com o mundo ao seu redor, e Wyclef faz isso de forma autêntica há décadas. Seu trabalho no Haiti e em outras regiões demonstra um compromisso real em transformar visibilidade em ação.

Glow Pop Brasil: Ludmilla se tornou uma das artistas mais influentes do Brasil e um símbolo de representatividade. O que sua participação significa para uma edição realizada no Brasil?

Hugh Evans: Ludmilla é uma das artistas mais importantes do Brasil atualmente, e seria impossível imaginar um evento do Global Citizen no Rio sem ela. Ela construiu uma conexão extraordinária com o público por meio de sua música, autenticidade e constante evolução artística.

O mais empolgante é que ela representa um Brasil moderno, criativo, confiante e influente muito além de suas fronteiras. Sua participação garante que o Global Citizen Live: Rio de Janeiro reflita as vozes e experiências do público brasileiro, ao mesmo tempo em que celebra a influência cultural do país no cenário global.

Glow Pop Brasil: Como artistas de diferentes países e culturas ajudam a transformar temas globais, como pobreza, desigualdade e mudanças climáticas, em mensagens mais acessíveis ao público?

Hugh Evans: Artistas são contadores de histórias por natureza. Eles possuem uma capacidade extraordinária de despertar emoções. Conseguem transformar temas complexos em histórias humanas, o que muitas vezes é o primeiro passo para que as pessoas se conectem com essas questões.

Isso se torna ainda mais poderoso quando reunimos artistas de diferentes países, culturas e tradições musicais. Cada um traz suas próprias perspectivas, experiências e públicos, mas frequentemente revelam algo universal sobre os desafios e aspirações compartilhados por pessoas em todo o mundo.

No Global Citizen, vimos que a música cria conexões que ultrapassam fronteiras. Ela ajuda as pessoas a reconhecerem que, embora nossas experiências possam ser diferentes, muitos dos desafios que enfrentamos, e muitas das oportunidades para resolvê-los, são comuns e podem ser superados quando agimos juntos.

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