Foto: divulgação
Não é novidade que o Coachella funciona como uma das grandes vitrines para artistas em ascensão. O festival californiano já foi palco de momentos capazes de ampliar drasticamente o alcance de nomes que estavam prestes a atravessar a fronteira entre o culto e o mainstream, como aconteceu com Chappell Roan entre 2024 e 2025.
Neste ano, porém, o olhar se voltou para Slayyyter. Catherine Grace Garner chegou ao festival carregando WOR$T GIRL IN AMERICA, lançado em março, e encontrou ali um dos momentos mais decisivos de uma carreira que vinha sendo construída há quase uma década. O que aconteceu depois transformou a apresentação em mais do que uma vitrine, se tornando o ponto de partida para outra dimensão de sua própria narrativa.
Durante os ensaios para o Coachella, Slayyyter descobriu que havia sido traída pelo então namorado. O episódio atravessou sua criação e deu origem a “brand new chanel$”, que dialoga de forma indireta com “BEAT UP CHANEL$” e primeiro capítulo de uma nova fase. A faixa aposta em um pop deliberadamente radiofônico, recuperando referências do início dos anos 2010 e levando a estética exagerada da cantora para um território mais acessível sem abandonar sua personalidade.
O resultado furou uma bolha que Slayyyter havia passado anos construindo pela internet, já que “brand new chanel$” se tornou sua primeira entrada na Billboard Hot 100, estreando na 98ª posição na semana de 15 de agosto. É aí que a história ganhou mais uma camada. A música nasceu de uma situação pessoal que poderia ter ficado restrita aos bastidores, mas virou um dos primeiros sinais concretos de que Slayyyter deixou de ser uma referência da internet para ocupar um espaço cada vez maior no pop.
Existe algo quase simbólico em ver uma artista que passou tanto tempo associada a uma cena específica finalmente transformar suas referências em acontecimentos de escala pop. Além da boa fase, Slayyyter acumula experiências que parecem redefinir o tamanho possível para sua própria carreira, como sua vinda ao Brasil.
Nos dias 9 e 10 de outubro, Slayyyter será a headliner do ZIG Festival, no Rio de Janeiro e em São Paulo, respectivamente, dividindo a programação com nomes como Rochelle Jordan, INJI, Chase Icon, BAYLI, Only Fire, Karol Conká e Linn da Quebrada. A escolha chama atenção porque o festival apostou na cantora antes de sua explosão mais recente, colocando-a no topo de uma edição que também reforça a proposta do ZIG de aproximar o pop underground da cena eletrônica global.
A curadoria encontrou uma Slayyyter em outro momento de carreira, com WOR$T GIRL IN AMERICA consolidado e uma turnê mundial esgotada. Nesse sentido, o show chegará ao país como um retrato de uma artista que já não precisa ser apresentada como promessa. Vale lembrar que ainda há ingressos disponíveis tanto para a data no Rio de Janeiro como para São Paulo.
