Duas décadas podem mudar uma banda, seus integrantes e até a forma de fazer música. No caso do Ludovic, o tempo serviu para amadurecer ideias, acumular experiências e transformar um reencontro em novo capítulo. Depois de quase 20 anos sem lançar um álbum de inéditas, o grupo paulistano está de volta com Ludovic, terceiro trabalho de estúdio da carreira e primeiro desde Idioma Morto, de 2006.
Disponível nas plataformas digitais pela Balaclava Records, o disco representa mais do que um retorno. O material reafirma a importância da banda que influenciou diferentes nomes da cena alternativa brasileira e, agora, revisita sua própria identidade sem abrir mão da evolução artística.
O processo até o novo álbum começou de forma despretensiosa. Depois de encerrar as atividades em 2008, os integrantes seguiram caminhos individuais e participaram de diferentes projetos ao longo dos anos. As apresentações comemorativas realizadas entre 2024 e 2025, celebrando os 20 anos do álbum Servil, reacenderam a vontade de dividir o palco novamente.
Aos poucos, os ensaios deram lugar às primeiras composições e, quando perceberam, um novo disco já estava tomando forma. Gravado entre 2025 e 2026 no Estúdio El Rocha, sob produção, gravação, mixagem e masterização de Fernando Sanches, o disco reúne 11 faixas inéditas.
Desta vez, o processo criativo também mudou. Se nos primeiros discos as composições eram conduzidas principalmente por Jair Naves, as músicas nasceram de forma mais colaborativa, incorporando as experiências acumuladas por Eduardo Praça, Zeek Underwood e Rodrigo Montorso ao longo dos últimos anos.
O resultado mantém a intensidade emocional que sempre marcou o Ludovic, mas estende o universo sonoro da banda. Além das guitarras características, o disco incorpora sintetizadores, samples, harmonias vocais e novas texturas que expandem a identidade construída nos primeiros álbuns.
As composições ainda refletem o momento vivido pelos integrantes. Em vez de olhar apenas para o passado, o álbum aborda temas como luto, reencontros, capitalismo, autoconhecimento, relações humanas e as transformações da vida adulta.
O tom confessional, uma das marcas registradas das letras de Jair, continua presente, acompanhado por uma sonoridade mais ampla e detalhista. Ao batizar o álbum com o próprio nome da banda, o quarteto faz uma declaração de identidade.
O título simboliza um grupo que passou por mudanças, interrompeu sua trajetória, voltou aos palcos e encontrou uma nova forma de existir sem romper com as próprias raízes. A mesma ideia aparece na capa criada por Júlia Aluar, que utiliza a chama solitária como metáfora para permanência, resistência e renovação.
Acima de tudo, Ludovic mostra que o grupo ainda tem novas histórias para contar. O álbum transforma o reencontro em um ponto de partida e reforça o legado de uma das bandas mais influentes do rock alternativo nacional.
Ouça Ludovic logo abaixo!
