Foto: divulgação
Lançado nesta sexta-feira (17), o single “drop dead” marca o início de uma nova fase para Olivia Rodrigo e estreia carregando o peso do retorno da cantora. A faixa, aliás, antecipa You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love, álbum que tem seu lançamento marcado para o dia 12 de junho.
A abertura, guiada por sintetizadores com automações de delay, estabelece de imediato um pop envolvente e de fácil assimilação, característica recorrente em seus lançamentos iniciais de era. Em paralelo, a jovem artista amplia seu flerte com o rock, diálogo que vem se consolidando desde apresentações recentes ao lado de The Cure e No Doubt, além da aproximação estética com Fontaines D.C..
Inclusive, o The Cure é citado logo no primeiro verso com “Just Like Heaven”, música que ela performou ao lado da banda liderada pelo icônico Robert Smith no Glastonbury 2025. Vale lembrar que, para quem não está tão familiarizado com a obra do clássico grupo, “Just Like Heaven” fala sobre um amor que nasce ainda na adolescência e atravessa o tempo.
Existe ali uma construção romântica que beira o delírio como desmaiar de amor e isso conversa diretamente com o que Olivia propõe em “drop dead”. Mesmo citando essa faixa, dá pra perceber também semelhanças na produção com “Friday I’m in Love”. Apesar de ancorada nessa fantasia romântica, a composição não se desvincula de uma melancolia latente, traço já característico da escrita de Olivia. A própria artista reconhece que suas canções de amor tendem a carregar uma tristeza certamente inevitável.
“Não importa o quanto eu tente escrever canções de amor, elas sempre acabam com um toque de melancolia”
O arranjo acompanha tal dualidade entre desejo e intuição ao evoluir para uma balada rock, enquanto camadas sutis de violino surgem no refrão, expandindo a carga sensorial. Olivia, com o vídeo de “drop dead”, se tornou a primeira artista da década a receber permissão para filmar um clipe no Palácio de Versalhes, na França. Com direção de Petra Collins, o registro funciona quase como uma romcom etérea, com a cantora caminhando pelos corredores do palácio e reimaginando diferentes facetas desse relacionamento nos limites de projeção.
A escolha estética não merece desvio de atenção. A linguagem inspirada nos anos 2000 abandona o acabamento polido das câmeras 4K e aposta em uma espécie de camcorder, com captação em 50 frames por segundo, distanciando-se do padrão cinematográfico de 24 fps. O resultado cria um contraste interessante entre a textura crua, quase nostálgica, e a fluidez do movimento, que imprime um dinamismo contemporâneo à imagem. Mesmo com menor definição, há um ganho de imediatismo que aproxima a experiência de algo mais tangível, como se a realidade fosse atravessada por uma sensação de fantasia anacrônica.
Existe também uma consciência muito clara da própria linguagem geracional. Poucos nomes hoje transitam com tanta naturalidade pelo imaginário da geração Z quanto Olivia, que incorpora referências de comportamento, redes sociais e até signos dentro da composição enquanto canta versos como “One night I was bored in bed and stalked you on the internet” […] “it’s feminine intuition ‘Cause I always had a vision of us standing like this” e “Pisces and a gemini but i think we might go really nice together”.
Como faixa de abertura do terceiro disco, “drop dead” já estabelece uma dualidade central dentro da narrativa. Compondo o lado A do disco, “girl so in love” parece apontar para o início de um relacionamento idealizado; pelo lado B, “you seem pretty sad”, indica um mergulho na insegurança, na saudade e na melancolia. Vale pontuar que a própria Olivia Rodrigo já comentou sobre a sensação de acreditar estar feliz em uma relação, mas perceber que a tristeza vinha com ela.
De uma certa forma, se têm uma reflexão na capa do projeto, em que a cantora parece sonhar alto com um amor que a deixa de ponta cabeça, mas ao mesmo tempo existe algo que a puxa de volta, que a acorrenta, como se o equilíbrio nunca fosse totalmente estável em cima de um balanço.
