Harry Styles transforma seu novo disco em narrativa ao vivo durante show em São Paulo

Foto: Renata Belich | Glow Pop Brasil

Após quatro anos longe dos palcos brasileiros, Harry Styles finalmente reencontrou seus fãs no país com a turnê de residência “Together Together”. São Paulo foi escolhida como uma das poucas cidades a receber a nova série de apresentações e, no último sábado (18), o MorumBIS viveu mais um capítulo dessa passagem especial. A segunda das quatro datas confirmou o que já era esperado: a conexão entre Harry e o público brasileiro continua tão forte quanto nunca.

A abertura ficou por conta do duo nova-iorquino Fcukers, responsável por preparar o clima antes da atração principal. Com uma sonoridade dançante e influências eletrônicas que dialogam com a estética da nova fase de Harry, a dupla fez uma apresentação consistente, embora parte do público já demonstrasse ansiedade pelo início do show principal.

Assim que Harry surgiu no palco, a atmosfera do estádio mudou completamente. Dono de uma presença de palco envolvente, o cantor conduziu o espetáculo com naturalidade, percorrendo a enorme passarela e interagindo constantemente com os fãs. No show, ele mostrou novamente por que suas apresentações vão muito além da música.

A primeira música no setlist foi “Are You Listening Yet?”, faixa do novo álbum Kiss All the Time, Disco Occasionally (2026). Ao vivo, a canção ganha uma nova dimensão, com energia muito mais intensa do que na versão de estúdio. Logo depois, Styles emendou “Golden”, um dos principais singles de Fine Line (2019).

“Watermelon Sugar”, apesar de frequentemente aparecer entre as músicas que parte dos fãs gostariam de ver fora do repertório, segue como um dos maiores sucessos do artista. A resposta do público foi imediata, principalmente porque o figurino escolhido para a noite remetia diretamente à identidade visual do Fine Line.

Um dos grandes destaques do show foi a banda, acompanhada por uma orquestra brasileira convidada para algumas músicas ao vivo. Entre elas, “Coming Up Roses”, uma das faixas mais bonitas do novo álbum, ganhou interpretação ainda mais emocionante. Na turnê, a canção abandonou parte da sonoridade eletrônica presente no disco para abraçar uma atmosfera mais clássica, valorizada pelos arranjos orquestrais.

O repertório percorreu diferentes fases da carreira solo de Harry. Clássicos como “Adore You”, “Keep Driving” e “Fine Line” dividiram espaço com as faixas de Kiss All the Time, Disco Occasionally, apresentando ao público a identidade da era atual sem deixar de lado os sucessos que marcaram sua trajetória.

A música surpresa da noite foi “The Waiting Game”, também presente no mais recente disco do artista britânico. A escolha dividiu opiniões, já que muitos esperavam uma canção mais antiga, especialmente porque, na noite anterior, Harry havia apresentado “Matilda”, uma dos momentos mais emocionantes da noite, além de ser uma das preferidas dos fãs.

Vale destacar que, antes disso, a orquestra executou trechos de duas músicas do One Direction, levando os fãs às lágrimas. O momento ganhou um significado ainda maior por acontecer justamente no MorumBIS, estádio onde o ex-integrante da boyband se apresentou pela primeira vez no Brasil com seu antigo grupo, em 2014. Para muitos fãs, a ocasião foi como revisitar o início de uma história que ainda está sendo escrita.

Em contraponto, o segundo ato do show foi dominado pelas músicas do mais recente trabalho de estúdio e se tornou um dos melhores momentos da noite. A percepção dos fãs no estádio sobre as músicas no gênero pop eletrônico mudou completamente depois de ouvi-las ao vivo. Ficou evidente que Kiss All the Time, Disco Occasionally foi um álbum pensado para o ao vivo.

Mais tarde, a sequência formada por “Dance No More”, “Treat People With Kindness”, “Pop” e “Aperture” representou o ponto alto do espetáculo. Nesse momento, Harry demonstrou sua capacidade de se reinventar, transformando um disco que, para muitos, parecia morno em uma experiência vibrante e envolvente. No palco, as músicas ganharam força e personalidade.

Outro dos momentos mais marcantes aconteceu durante a tradicional conversa com o público. Além de participar de um chá revelação, Harry Styles chamou a atenção ao aprender a bater leque, que em todos os shows virou uma febre no Brasil. A cena arrancou risadas do estádio inteiro e já se tornou um dos episódios mais icônicos da passagem pelo país. São detalhes como esse que reforçam o cuidado do cantor em observar as particularidades de cada lugar e incorporá-las ao show.

Por outro lado, apesar da recepção extremamente positiva, a estrutura do palco gerou críticas entre quem acompanhou o show da pista comum. Dependendo da posição, rampas e desníveis dificultavam a visão do artista, obrigando parte do público a recorrer aos telões em diversos momentos. Já para quem estava nas cadeiras, arquibancadas e áreas Pits, a experiência visual foi bastante satisfatória.

Nem mesmo o detalhe diminuiu o impacto da apresentação. A emoção tomou conta do MorumBIS durante “Sign of the Times”, especialmente na queima de fogos, enquanto “As It Was” conquistou ainda mais força com o tradicional coro de “Leave America”, entoado em uníssono pelos fãs brasileiros e capaz de fazer o estádio inteiro cantar junto.

Por fim, a segunda noite da residência em São Paulo reforçou o motivo pelo qual Harry Styles mantém uma relação tão especial com o Brasil. A apresentação entregou emoção, espontaneidade e uma troca genuína entre artista e público. Para quem ainda vai assistir às próximas datas, a expectativa é viver uma experiência que certamente ficará marcada na memória.

Após cancelar a terceira data da série de shows no Brasil, o artista de 32 anos encerrará a sequência de apresentações na capital paulista na próxima sexta-feira (24), com ingressos ainda disponíveis pelo site da Ticketmaster Brasil.

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