LUNO embarca na psicodelia nordestina com “Colorida Barca”

LUNO embarca na psicodelia nordestina com “Colorida Barca”

Foto: Gabriel Barretto

Uma barca atravessa águas desconhecidas, balança conforme o caminho e segue mesmo sem saber exatamente onde vai chegar. É essa imagem que conduz “Colorida Barca”, novo single de LUNO, lançado nesta sexta-feira (28), e que abre os caminhos para Mantracaru, segundo álbum solo do artista sergipano, previsto para setembro.

Com a música, o artista transformou a embarcação em metáfora para mudanças, desejos e esperança. Com uma sonoridade que passeia pela psicodelia nordestina, pelo jazz e pelo rock, a faixa cria uma espécie de viagem musical em que cada instrumento ajuda a contar a história.

Composta por Luno Torres e Diego Bezerra, “Colorida Barca” nasceu justamente desse desejo de movimento. A música fala sobre deixar para trás aquilo que já não serve e encontrar coragem para seguir em direção ao desconhecido, como LUNO contou:

“Para mim, ela simboliza movimento: a decisão de partir em busca de algo melhor.”

A ideia aparece também na própria construção da faixa. O balanço da valsa sugere o movimento de uma embarcação, enquanto a pulsação do rock dá velocidade à viagem. Aos poucos, ruídos marítimos, efeitos sonoros e vozes de tripulantes entram na canção, criando a sensação de que o ouvinte está embarcando na história.

Quando essa viagem ganha companhia “Colorida Barca” revela uma de suas características mais interessantes. A canção não trata a mudança como uma experiência solitária. As vozes ao fundo funcionam como uma pequena tripulação, dividindo a esperança de chegar a um novo destino.

As cordas ampliam ainda mais esse universo. Violinos, viola e violoncelo aparecem em arranjos criados e regidos pelo maestro Dr. James Bertisch, do Conservatório de Música de Sergipe, e executados por músicos da Orquestra Sinfônica de Sergipe.

A presença do quarteto formado por Thiago Salvino no violoncelo, Fabíola Fontele na viola e Junior Vanzella e Francisco Júnior nos violinos cria uma dimensão quase cinematográfica para a composição. Não por acaso, LUNO aproxima o trabalho de sua relação com trilhas de cinema, usando a instrumentação para fazer a narrativa avançar junto com a letra.

Na produção, o cantor divide os créditos com Léo Airplane, responsável também pela mixagem e masterização. O próprio LUNO assume voz principal, baixo e arranjos vocais, enquanto Léo toca teclado, guitarra, violão e trabalha nos efeitos sonoros. Gabriel Perninha, da banda The Baggios, completa a formação na bateria e nos instrumentos percussivos.

Existe, aliás, uma camada ainda mais profunda nessa travessia. “Colorida Barca” não chega isolada: ela apresenta o universo de Mantracaru, álbum que deve expandir a pesquisa musical iniciada por LUNO em seu primeiro trabalho solo, Homo Pacificus, lançado em 2021.

A história do artista passa pelo rock psicodélico sergipano. LUNO integrou a Plástico Lunar e também faz parte da Banda dos Corações Partidos, experiências que ajudaram a construir uma trajetória marcada pela música independente e pelos cruzamentos entre diferentes linguagens.

Em Mantracaru, a psicodelia brasileira vai encontrar jazz, rock progressivo, sonoridades nordestinas e até referências da música indiana. Nomes como Os Mutantes, O Terço, A Barca do Sol, Sá, Rodrix & Guarabyra, Ednardo e Tetê Espíndola aparecem entre as influências que atravessam o álbum. Através de “Colorida Barca”, a mistura ganha uma forma especialmente simbólica.

Ouça a canção logo abaixo!

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