Foto: Cintia Mello
A nostalgia do hip-hop dos anos 2000 e dos tempos de MTV ganhou força durante a apresentação de Nelly, segundo artista a subir ao Palco Mundo do Rock in Rio 2026 neste domingo (6). Em sua estreia no festival, o rapper de St. Louis, nos Estados Unidos, apostou em um repertório recheado de sucessos que marcaram uma das fases mais populares do gênero e continuam presentes na memória do público. Vestindo uma camisa do Brasil, o artista também aproveitou a passagem pelo país para criar conexão imediata com os fãs.
Com uma carreira construída entre o rap, o R&B e o pop, Nelly se tornou um dos nomes mais populares do hip-hop comercial no início dos anos 2000. Os trabalhos do americano ajudaram a aproximar o gênero de uma audiência ainda maior, combinando batidas marcantes, refrões fáceis de cantar e elementos que dialogavam diretamente com as paradas musicais da época. No evento carioca, a trajetória apareceu refletida em um setlist que privilegiou os hits responsáveis por tornar o rapper um fenômeno internacional.
Logo nos primeiros momentos da apresentação, a reação do público mostrou que a distância entre o lançamento das músicas e o presente não diminuiu o impacto das canções. Entre os destaques esteve “Ride With Me”, um dos grandes sucessos da carreira de Nelly e faixa que rapidamente colocou a plateia para cantar. A música também representa a capacidade do rapper de transitar entre o hip-hop e sonoridades mais acessíveis, alcançando diferentes públicos.
A apresentação seguiu explorando a mistura de rap, R&B e pop, criando uma espécie de retrospectiva musical da carreira do artista. Em vez de apostar apenas em faixas mais recentes, Nelly construiu o show em torno de músicas que se tornaram conhecidas mundialmente e que continuam reconhecíveis para diferentes gerações. O resultado foi uma apresentação marcada pelo fator nostalgia, mas também pela participação constante da plateia.
Um dos momentos mais simbólicos aconteceu antes de “Dilemma”. Nelly pediu que o público acendesse as lanternas dos celulares, transformando a área em frente ao palco em um grande mar de luzes. A cena reforçou o caráter coletivo da apresentação e preparou o terreno para um dos maiores sucessos de sua carreira. Quando a música começou, os fãs acompanharam o rapper, transformando o hit em um dos momentos de maior interação da noite.
“Dilemma” ocupa um lugar importante na trajetória de Nelly e ajudou a estabelecer sua presença muito além do universo do rap. A parceria com Kelly Rowland se tornou um dos grandes sucessos da década e atravessou gerações, se mantendo como uma das músicas mais lembradas do repertório do artista. No festival, a faixa funcionou justamente como uma ponte entre a nostalgia dos fãs que acompanharam sua carreira desde os anos 2000 e uma nova geração familiarizada com seus principais hits.
A relação com o Brasil também ganhou destaque durante o show. Ao subir ao palco vestindo uma camisa brasileira, Nelly incorporou um elemento que aproximou ainda mais sua apresentação do público local. A escolha do figurino foi recebida como um gesto de conexão com os fãs brasileiros, em uma estreia que marcou a chegada do rapper ao festival.
Vencedor de três Grammys, Nelly acumulou ao longo da carreira uma série de reconhecimentos e números expressivos. O artista soma seis álbuns que alcançaram o Top 10 da Billboard 200, consolidando uma trajetória que ultrapassa duas décadas. Sua relevância está diretamente ligada a uma época em que o hip-hop passou a ocupar um espaço cada vez maior nas rádios, nas paradas e na cultura pop mundial.
Para encerrar a noite, o rapper escolheu “Just a Dream”, outro de seus grandes sucessos. A faixa fechou a apresentação mantendo a atmosfera de celebração e nostalgia que dominou o show desde os primeiros minutos. Com o público acompanhando a música, Nelly deixou o palco reafirmando a longevidade de uma carreira que ajudou a definir a sonoridade do hip-hop popular dos anos 2000.
Em sua estreia no Rock in Rio, Nelly entregou, assim, uma apresentação construída sobre memória, hits e conexão com a plateia. Entre clássicos que marcaram uma geração e momentos de interação com os fãs, o rapper mostrou que, mesmo anos após o auge de seus maiores sucessos, seu repertório continua encontrando espaço entre diferentes gerações.
